sábado, 29 de outubro de 2011

Interações positivas

Pesquisas mostram que usar a internet no expediente de trabalho torna o funcionário mais proativo


Desde que passaram a fazer parte da rotina das pessoas, as redes sociais têm sido o pivô de uma queda de braço entre empregados e empregadores. Há quem defenda que as páginas ajudam a manter os funcionários sempre informados. Do outro lado, estão os que acreditam que o livre acesso aos sites não se justifica, uma vez que, na maioria das vezes, o conteúdo delas não se relaciona com o tema do trabalho e pode tirar o foco do que realmente importa. Contudo, duas pesquisas feita pela Universidade Nacional de Cingapura — e apresentadas em forma de relatório em agosto deste ano na conferência anual da Academy of Management — podem colocar um fim à discussão. Segundo os estudiosos, o time dos conectados poderá tornar-se ainda mais produtivo que o dos colegas avessos às interações virtuais.

De acordo com o trabalho, feito pelos pesquisadores Don Chem e Vivien Lim, usar a internet entre uma tarefa e outra funciona como um descanso mental para o funcionário. Além de relaxar um pouco, as visitinhas aos sites também podem contribuir para — pasmem — aumentar o foco e a concentração dos empregados. Para os chefes que ainda não consideram as redes sociais uma boa ideia, uma má notícia: segundo os estudiosos, o monitoramento excessivo só faz com que as pessoas usem mais as redes sociais. Isso acontece porque os funcionários passam a ver tais políticas como uma forma de desconfiança da empresa para com eles. No relatório, Chem e Lim destacam que, em vez de se tentar bloquear o acesso, “deveria ser permitida uma quantidade limitada do uso da internet, uma vez que tem impacto salutar sobre a produtividade dos funcionários”.

Porém, o simples ato de manter-se conectado o tempo inteiro não é sinônimo de produtividade. Utilizado em praticamente todos os escritórios, empresas, repartições e mais uma infinidade de locais de trabalho, o e-mail pode atrapalhar mais do que se imagina. Segundo a pesquisa, e-mails pessoais “colocam os funcionários em um duplo vínculo”, uma vez que a necessidade de responder à mensagem impede que os funcionários mantenham um “engajamento psicológico, afetando sua capacidade de concentração”. Além disso, quando responderem aos e-mails, as pessoas experimentam o “esgotamento de recursos, efeitos negativos e interrupção do fluxo de trabalho”.

Com limites
A conclusão é que o melhor caminho a ser seguido é o do equilíbrio: desde que não passem grande parte do dia em páginas que não se relacionam com as atividades no trabalho, os funcionários podem se beneficiar das redes sociais. Consultora de relações públicas da Catho Online, Daniella Correa diz que o ideal é que cada um saiba seus próprios limites para não correr o risco de extrapolar. “É importante que o profissional se organize diariamente. No caso dos e-mails, procure abri-los duas ou três vezes ao dia, dependendo da necessidade da empresa/atividade”, ensina. Se a sua empresa permite o acesso a programas de bate-papo, o uso deve ser ainda mais cauteloso. Segundo ela, o ideal é utilizá-los “apenas quando for essencial e avisar quando iniciar uma atividade que exija maior concentração, para reduzir interrupções”.

A atividade desempenhada na empresa também influencia na necessidade ou não das redes sociais. Profissionais de áreas como comunicação e marketing fazem uso delas como ferramentas de trabalho. “Elas ajudam a entender o comportamento do consumidor, a trabalhar a imagem da organização e, até mesmo, a divulgar promoções e eventos”, completa Correa. Contudo, se a empresa em que você trabalha baseia-se em uma política conservadora em relação à internet, convém se adaptar para não criar atritos. “Caso entenda que o acesso às redes será positivo mesmo sem ter relação com suas atividades, vale negociar, mas sempre com bom senso e foco em resultados”, pondera.

Coordenadora de redes sociais em uma agência publicitária, Carolina Fonteles conta que, em seu ambiente de trabalho, a internet é uma fonte de informações indispensável. “Somos uma empresa de marketing on-line, então, nosso trabalho é nas redes sociais”, explica. Responsáveis por zelar pela imagem dos clientes na rede, Fonteles defende que o uso dos sites funciona como uma fonte de pesquisa que indica dados importantes para os funcionários, como a quantidade de pessoas inscritas nos sites institucionais que montam e o tipo de relacionamento que as pessoas mantêm com as empresas. Além disso, ela acredita que as redes sociais facilitam a afinidade entre os colegas e clientes. “É uma forma mais rápida de trabalhar e estar dentro de tudo que está acontecendo”, completa.

Receio e críticas
Ainda que possam ser usadas como uma maneira de manter os empregados sempre atualizados, Carolina admite que nem todos sabem usar o recurso de maneira sábia — motivo que explicaria o porquê da existência de tantas empresas ainda relutantes sobre o assunto. “Há a crença de que as redes sociais são um fator de diversão e brincadeira, o que pode deixar os funcionários dispersos durante o trabalho”, argumenta. Para ela, mesmo o e-mail, criticado na pesquisa, tem um papel importantíssimo na rotina dos profissionais. “O e-mail otimiza o trabalho. Não é uma perda de tempo, é uma maneira de documentar tudo o que acontece”, defende.

Funcionário do departamento de vendas on-line de uma concessionária de veículos, Ragnar Paz, 33 anos, é um dos poucos da empresa com acesso às redes sociais. Mesmo em contato direto com os sites (uma vez que é responsável por acompanhar e administrar as promoções da empresa na internet), Ragnar se esforça para acessar as páginas pessoais apenas quando há uma brecha na agenda. “Você não pode parar de fazer a sua atividade para ver a última novidade do Trending Topics (lista com os assuntos mais comentados do Twitter)”, afirma. “Em horário de almoço, ou se você não tiver nenhuma obrigação acho que não custa nada dar uma olhadinha. Agora, acredito que muita gente não tem essa maturidade e acaba se tornando improdutiva.”

Contudo, para o consultor on-line, essa imaturidade é independente do acesso ao não às redes sociais. “Tenho colegas que se pudessem ficariam lendo as sinopses de todas as novelas enquanto não têm nada para fazer. Imagina tendo acesso aos últimos tweets do cantor predileto ou às fotos daquele show que aconteceu ontem?”, questiona. Para Viviane Moraes, 25 anos, funcionária da área de atendimento em uma empresa de comunicação, o uso de sites “para matar o tempo” durante o expediente se dá pela falta de acesso em casa. “Muitas vezes, quem não tem uma internet boa em casa, faz tudo no trabalho, por isso, acaba se perdendo e não consegue se focar”, arrisca. Mesmo com livre acesso a qualquer página da internet, na hora da necessidade, Viviane confessa: nem e-mail nem Twitter ou Facebook. O que resolve mesmo o problema é o bom e velho telefone. “Só com ele dá para ter certeza de que você conseguiu entrar em contato com a pessoa que você precisa”, conclui.

Por Gláucia Chaves, para http://www.correioweb.com.br/.

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